Aqui está reproduzido o livro "O Grande Conflito", ou "O Conflito dos Séculos", ou ainda "A Grande Controvérsia".

The Spirit of Prophecy - vol. IV:

The Great Controversy between Christ and Satan

From the Destruction of Jerusalem to the End of the Controversy. (1884)


Read here the summary of each chapter:http://oconflitodosseculos.blogspot.pt/2011/03/spirit-of-prophecy-vol-iv-conteudo-do.html


O Verdadeiro Nome do Criador e de Seu Filho

À Lei e ao Testemunho!: Este é o Meu Nome Eternamente

Interessante artigo que analisa qual é o verdadeiro nome do Altíssimo e a origem pagã de determinadas palavras a Ele aplicadas, assim como ao Seu Filho; por exemplo, Deus e Jesus. Esta foi mais uma nova verdade (http://1assimdizosenhor.blogspot.com/2011/02/novas-verdades.html) que o Altíssimo nos fez compreender recentemente, e por isso determinadas palavras como as mencionadas acima se encontram nos capítulos publicados no blogue, pois na altura ainda não tinhamos conhecimento do assunto e agimos de acordo com a melhor luz que possuíamos, assim como a autora do livro: Ellen White.

"Mas a vereda dos justos é como a luz da aurora, que vai brilhando mais e mais até ser dia perfeito." Pv. 4:18

Relatos do passado que projectam luz no futuro

"O objetivo deste livro não consiste tanto em apresentar novas verdades concernentes às lutas dos tempos anteriores, como em aduzir fatos e princípios que têm sua relação com os acontecimentos vindouros. Contudo, encarados como uma parte do conflito entre as forças da luz e das trevas, vê-se que todos esses relatos do passado têm nova significação; e por meio deles projeta-se uma luz no futuro, iluminando a senda daqueles que, semelhantes aos reformadores dos séculos passados, serão chamados, mesmo com perigo de todos os bens terrestres, para testificar "da Palavra do Altíssimo, e do testemunho de Yahushua, o Ungido (erradamente chamado Jesus Cristo)"." E.W.

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quarta-feira, 14 de outubro de 2009

CAP. 31 - Operação dos Espíritos do Mal


A relação do mundo visível com o invisível, o ministério dos anjos de Deus, a operação dos espíritos maus, acham-se claramente revelados nas Escrituras, e inseparavelmente entretecidos com a história humana. Há uma tendência crescente para a incredulidade na existência dos espíritos maus, enquanto os santos anjos que "ministram a favor daqueles que hão de herdar a salvação" (Heb. 1:14), são por muitos considerados como espíritos dos mortos. As Escrituras, porém, não somente ensinam a existência dos anjos, tanto bons como maus, mas apresentam prova inquestionável de que não são os espíritos desencarnados dos homens falecidos.


Antes da criação do homem, existiam anjos; pois, quando os fundamentos da Terra foram lançados, "as estrelas da alva juntas alegremente cantavam, e todos os filhos de Deus rejubilavam". Jó 38:7. Depois da queda do homem foram enviados anjos a guardar a árvore da vida, e isto antes que qualquer ser humano houvesse morrido. Os anjos são, em sua natureza, superiores aos homens, pois o salmista diz que o homem foi feito "pouco menor do que os anjos". Sal. 8:5.


Estamos informados pelas Escrituras quanto ao número, poder e glória dos seres celestiais, sua relação com o governo de Deus e também com a obra da redenção. "O Senhor tem estabelecido o Seu trono nos Céus, e o Seu reino domina sobre tudo." E diz o profeta: "Ouvi a voz de muitos anjos ao redor do trono." No salão de recepção do Rei dos reis, assistem eles -como "anjos Seus magníficos em poder", "ministros Seus, que executam o Sua aprovação", "obedecendo à voz da Sua palavra". Sal. 103:19-21; Apoc. 5:11. Milhares de milhares e milhões de milhões eram os mensageiros celestiais vistos pelo profeta Daniel. O apóstolo Paulo declarou serem "muitos milhares". (Dan. 7:10; Heb. 12:22.) Como mensageiros de Deus, saem "à semelhança de relâmpagos" (Ezeq. 1:14), tão deslumbrante é sua glória e tão rápido o seu vôo. O anjo que apareceu no túmulo do Salvador, e tinha o rosto "como um relâmpago, e o seu vestido branco como a neve", fez com que os guardas por medo dele tremessem, e ficassem "como mortos". Mat. 28:3 e 4. Quando Senaqueribe, o altivo assírio, vituperou a Deus e dEle blasfemou, ameaçando Israel de destruição, "sucedeu pois que naquela mesma noite saiu o anjo do Senhor, e feriu no arraial dos assírios a cento e oitenta e cinco mil deles". Ali foram destruídos "todos os varões valentes, e os príncipes, e os chefes", no exército de Senaqueribe. "E este tornou com vergonha de rosto à sua terra." II Reis 19:35; II Crôn. 32:21.


Os anjos são enviados em missões de misericórdia aos filhos de Deus. A Abraão, com promessas de bênçãos; às portas de Sodoma, para livrar o justo Ló da condenação do fogo; a Elias, quando se achava a ponto de perecer de cansaço e fome no deserto; a Eliseu, com carros e cavalos de fogo, cercando a pequena cidade em que estava encerrado por seus adversários; a Daniel, enquanto buscava sabedoria divina na corte de um rei pagão, ou abandonado para se tornar presa dos leões; a Pedro, condenado à morte no calabouço de Herodes; aos prisioneiros em Filipos; a Paulo e seus companheiros na noite da tempestade no mar; a abrir a mente de Cornélio para receber o evangelho; a enviar Pedro com a mensagem da salvação ao desconhecido gentio - assim, em todos os tempos, têm os santos anjos ministrado ao povo de Deus.


Um anjo da guarda é designado a todo seguidor de Cristo. Estes vigias celestiais protegem aos justos do poder maligno. Isto, o próprio Satanás reconheceu, quando disse: "Porventura teme Jó a Deus em vão? Porventura não circunvalaste Tu a ele, e a sua casa, e a tudo quanto tem?" Jó 1:9 e 10. O agente pelo qual Deus protege a Seu povo é apresentado nas palavras do salmista: "O anjo do Senhor acampa-se ao redor dos que O temem, e os livra." Sal. 34:7. Disse o Salvador, falando daqueles que nEle crêem: "Vede, não desprezeis algum destes pequeninos, porque Eu vos digo que os seus anjos nos Céus sempre vêem a face de Meu Pai." Mat. 18:10. Os anjos designados para ministrarem aos filhos de Deus têm em todo tempo acesso à Sua presença.


Assim, ao povo de Deus, exposto ao poder enganador e vigilante malignidade do príncipe das trevas, e em conflito com todas as forças do mal, é assegurada a incessante guarda dos seres celestiais. Tampouco é tal segurança dada sem necessidade. Se Deus concedeu a Seus filhos promessas de graça e proteção, é porque há poderosas instrumentalidades do mal a serem enfrentadas - agentes numerosos, decididos e incansáveis, de cuja malignidade e poder ninguém pode sem perigo achar-se em ignorância ou inadvertência.


Os espíritos maus, criados a princípio sem pecado, eram iguais, em sua natureza, poder e glória, aos seres santos que ora são os mensageiros de Deus. Mas, caídos pelo pecado, acham-se coligados para a desonra de Deus e destruição dos homens. Unidos com Satanás em sua rebelião, e com ele expulsos do Céu, têm, através de todas as eras que se sucederam, cooperado com ele em sua luta contra a autoridade divina. Somos informados, nas Escrituras, acerca de sua união e governo, suas várias ordens, inteligência e astúcia, e de seus maus intuitos contra a paz e felicidade dos homens.


A história do Antigo Testamento apresenta referências ocasionais à sua existência e operação; foi, porém, durante o tempo em que Cristo esteve sobre a Terra, que da mais notável maneira os espíritos maus manifestaram seu poder. Cristo viera para executar o plano ideado para a redenção do homem, e Satanás decidiu-se a fazer valer o seu direito de governar o mundo. Fora bem-sucedido ao estabelecer a idolatria em toda parte do globo, exceto na terra da Palestina. À única terra que não havia cedido completamente ao domínio do tentador, viera Cristo para derramar sobre o povo a luz do Céu. Ali, dois poderes rivais pretendiam a supremacia. Jesus estendia Seus braços de amor, em convite a todos os que quisessem nEle encontrar perdão e paz. As hostes das trevas viram que não possuíam domínio ilimitado, e compreenderam que, se a missão de Cristo fosse bem-sucedida, seu governo estaria prestes a terminar. Satanás enfurecia-se como um leão acorrentado e, em desafio, exibia seu poder tanto sobre o corpo como sobre a alma dos homens.


Que os homens tenham sido possuídos de demônios está claramente referido no Novo Testamento. As pessoas desta maneira afligidas não sofriam meramente de moléstias provenientes de causas naturais. Cristo tinha perfeito conhecimento daquilo com que estava a tratar, e reconheceu a presença direta e a operação dos espíritos maus.


Notável exemplo do número deles, de seu poder e malignidade, e também do poder e misericórdia de Cristo, é dado no relato bíblico da cura dos endemoninhados de Gadara. Aqueles infelizes lunáticos, zombando de toda restrição, agitando-se, espumando, encolerizando-se, estavam a encher os ares de seus gritos, fazendo violência a si próprios, e pondo em perigo todos os que deles se aproximassem. Seu desfigurado corpo a sangrar, a mente transtornada, apresentavam um espetáculo que comprazia ao príncipe das trevas. Um dos demônios, que dirigia os padecentes, declarou: "Legião é o meu nome, porque somos muitos." Mar. 5:9. No exército romano, a legião compunha-se de três a cinco mil homens. As hostes de Satanás são também arregimentadas em companhias, e a simples companhia a que pertenciam esses demônios contava não menos que uma legião.


Ao mando de Jesus os anjos maus afastaram-se de suas vítimas, deixando-as calmamente sentadas aos pés do Salvador, submissas, inteligentes e dóceis. Mas aos demônios foi permitido varrer para o mar um rebanho de porcos; e para os habitantes de Gadara a perda disto sobrepujou as bênçãos que Cristo conferira, e pediram eles ao Médico divino que Se retirasse. Este o resultado que Satanás intentava obter. Lançando sobre Jesus a culpa de seu prejuízo, suscitou os temores egoístas do povo, impedindo-o de escutar Suas palavras. Satanás acusa constantemente os cristãos como causa de prejuízo, desgraça e sofrimento, em vez de consentir que a censura recaia onde compete: sobre si mesmo e seus anjos.


Os propósitos de Cristo não foram, porém, subvertidos. Permitiu que os espíritos maus destruíssem a manada de porcos, como reprovação àqueles judeus que, por amor do ganho, estavam a criar tais animais imundos. Não houvesse Cristo restringido os demônios, e teriam arrastado para o mar não somente os porcos, mas também seus guardadores e possuidores. A preservação dos que os guardavam bem como dos seus donos, foi unicamente devida a Seu poder, misericordiosamente exercido para o livramento deles. Demais, foi permitido que esse acontecimento ocorresse a fim de que os discípulos pudessem testemunhar o poder cruel de Satanás, tanto sobre o homem como sobre os animais. O Salvador desejava que Seus seguidores conhecessem o adversário que tinham de enfrentar, para que não fossem enganados e vencidos por seus ardis. Era também Sua vontade que o povo daquela região contemplasse Seu poder de quebrar o cativeiro de Satanás e libertar seus cativos. E, ainda que o próprio Jesus Se retirasse, os homens tão maravilhosamente libertos ficaram para declarar a misericórdia de seu Benfeitor.


Outros exemplos de natureza semelhante se acham registrados nas Escrituras. A filha da mulher siro-fenícia era atrozmente atormentada por um demônio, ao qual Jesus expulsou por Sua palavra (Mar. 7:26-30). Um "endemoninhado cego e mudo" (Mat. 12:22); um moço que tinha um espírito mudo que muitas vezes o lançava "no fogo, e na água, para o destruir" (Mar. 9:17-27); o lunático que, atormentado pelo "espírito de um demônio imundo" (Luc. 4:33-36), perturbava a calma do sábado na sinagoga de Cafarnaum - todos estes foram curados pelo compassivo Salvador. Em quase todos os casos Cristo Se dirigiu ao demônio como a uma entidade inteligente, ordenando-lhe sair de sua vítima e não mais atormentá-la. Contemplando os adoradores em Cafarnaum o Seu grande poder, "veio espanto sobre todos, e falavam entre si uns e outros, dizendo: Que palavra é esta, que até aos espíritos imundos manda com autoridade e poder, e eles saem?" Luc. 4:36.


Aqueles possessos são em geral representados como estando em condição de grande sofrimento; contudo, havia exceções a esta regra. Para o fim de obter poder sobrenatural, alguns recebiam alegremente a influência satânica. Estes, é claro, não tinham conflito algum com os demônios. Desta classe eram os que possuíam o espírito de adivinhação - Simão o Mago, o feiticeiro Elimas, e a donzela que acompanhou a Paulo e Silas em Filipos.


Ninguém se acha em maior perigo da influência dos espíritos maus do que aqueles que, apesar dos testemunhos diretos e amplos das Escrituras, negam a existência e operação do diabo e seus anjos. Enquanto estivermos em ignorância no que respeita a seus ardis, têm eles vantagem quase inconcebível; muitos dão atenção às suas sugestões, supondo, entretanto, estar seguindo os ditames de sua própria sabedoria. É por isto que, aproximando-nos do final do tempo, quando Satanás deverá trabalhar com o máximo poder para enganar e destruir, espalha ele por toda parte a crença de que não existe. É sua política ocultar-se a si mesmo e agir às escondidas.
Nada há que o grande enganador mais receie que o familiarizarmo-nos com seus ardis. Para melhor encobrir seu caráter e propósitos reais, faz-se representar de tal maneira a não excitar maior emoção do que ridículo e desdém. Ele se compraz muito em ser descrito como um objeto burlesco, repugnante, agoureiro, meio animal e meio homem. Agrada-se de ouvir seu nome empregado na brincadeira e na zombaria pelos que se julgam inteligentes e instruídos.
É porque se mascarou com consumada habilidade, que tão amplamente se faz a pergunta: "Existe realmente tal ser?" Evidencia-se o seu êxito na geral aceitação que obtêm no mundo religioso teorias que negam os testemunhos mais positivos das Escrituras. E é porque Satanás pode muito facilmente dirigir o espírito dos que se acham inconscientes de sua influência, que a Palavra de Deus nos dá tantos exemplos de sua obra maligna, descobrindo aos nossos olhos suas forças secretas, e desta maneira pondo-nos de sobreaviso contra seus assaltos.

O poder e malignidade de Satanás e sua hoste deveriam com razão alarmar-nos, não fosse o caso de podermos encontrar refúgio e livramento no superior poder de nosso Redentor. Pomos cuidadosamente em segurança as nossas casas por meio de ferrolhos e fechaduras, a fim de proteger contra homens maus nossa propriedade e vida; mas raras vezes pensamos nos anjos maus, que constantemente estão a procurar acesso a nós, e contra cujos ataques não temos em nossa própria força método algum de defesa. Se lhes permitirmos, podem transformar-nos o entendimento, perturbar e atormentar-nos o corpo, destruir nossas propriedades e vida. Seu único deleite está na miséria e ruína. Terrível é a condição dos que resistem às reivindicações divinas, cedendo às tentações de Satanás, até que Deus os abandone ao governo dos espíritos maus. Mas os que seguem a Cristo estão sempre seguros sob Sua proteção. Anjos magníficos em poder, são enviados do Céu para protegê-los. O maligno não pode romper a guarda que Deus pôs em redor de Seu povo.

CAP. 30 - Inimizade Entre o Homem e Satanás


"Porei inimizade entre ti e a mulher, e entre a tua semente e a sua semente; esta te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar." Gên. 3:15. A sentença divina pronunciada contra Satanás depois da queda do homem, foi também uma profecia, abrangendo todos os séculos até ao final do tempo, e prefigurando o grande conflito em que se empenhariam todas as raças dos homens que vivessem sobre a Terra.

Deus declara: "Porei inimizade." Esta inimizade não é entretida naturalmente. Quando o homem transgrediu a lei divina, sua natureza se tornou má, e ele ficou em harmonia com Satanás, e não em desacordo com ele. Não existe, por natureza, nenhuma inimizade entre o homem pecador e o originador do pecado. Ambos se tornaram malignos pela apostasia. O apóstata nunca está em sossego, exceto quando obtém simpatia e apoio, induzindo outros a lhe seguir o exemplo. Por este motivo os anjos decaídos e os homens ímpios se unem em desesperada união. Se Deus não Se houvesse interposto de maneira especial, Satanás e o homem teriam entrado em aliança contra o Céu; e, ao invés de alimentar inimizade contra Satanás, toda a família humana se teria unido em oposição a Deus.


Satanás tentou o homem a pecar, assim como fizera com que os anjos se rebelassem, para deste modo poder conseguir cooperação em sua luta contra o Céu. Nenhuma dissensão havia entre ele e os anjos caídos, no tocante a seu ódio a Cristo; ao passo que em todos os outros pontos havia discórdia, uniram-se firmemente na oposição à autoridade do Governador do Universo. Mas, quando Satanás ouviu a declaração de que existiria inimizade entre ele e a mulher, e entre a sua semente e a semente dela, compreendeu que seus esforços para depravar a natureza humana seriam interrompidos; que por algum meio o homem seria habilitado a resistir ao seu poder.


A inimizade de Satanás contra a raça humana é avivada pelo motivo de serem as criaturas humanas, mediante Cristo, objeto de amor e misericórdia de Deus. Ele se empenha em subverter o plano divino para a redenção do homem, desfigurando e corrompendo a obra de Suas mãos, para lançar desonra a Deus; deseja dar origem a pesares no Céu e encher a Terra de desgraças e desolação. E aponta para todo este mal como resultado da obra de Deus ao criar o homem.


É a graça que Cristo implanta na alma, que cria no homem a inimizade contra Satanás. Sem esta graça que converte, e este poder renovador, o homem continuaria cativo de Satanás, como servo sempre pronto a executar-lhe as ordens. Mas o novo princípio na alma cria o conflito onde até então houvera paz. O poder que Cristo comunica, habilita o homem a resistir ao tirano e usurpador. Quem quer que se ache a aborrecer o pecado em lugar de o amar, que resista a essas paixões que têm dominado interiormente e as vença, evidencia a operação de um princípio inteiramente de cima.

O antagonismo que existe entre o espírito de Cristo e o de Satanás, revelou-se na maneira mui flagrante com que o mundo recebeu a Jesus. Não foi tanto porque Ele aparecesse sem riquezas, pompas, ou grandiosidade mundanas, que os judeus foram levados a rejeitá-Lo. Viam-nO possuir poder que faria mais do que compensar a falta dessas vantagens exteriores. A pureza e santidade de Cristo, porém, valeram-Lhe o ódio dos ímpios. Sua vida de renúncia e impecável devotamento, era perpétua reprovação a um povo orgulhoso, sensual. Foi isto que provocou inimizade contra o Filho de Deus. Satanás e os anjos caídos uniram-se aos homens maus. Todas as energias da apostasia conspiraram contra o Campeão da verdade.
É manifesta em relação aos seguidores de Cristo, a mesma inimizade demonstrada para com o Mestre. Quem quer que veja o caráter repelente do pecado, e na força do alto resista à tentação, certamente suscitará a ira de Satanás e de seus súditos. Ódio aos puros princípios da verdade, e opróbrio e perseguição a seus defensores, existirão enquanto houver pecado e pecadores. Os seguidores de Cristo e os servos de Satanás não podem harmonizar-se. O agravo da cruz não cessou. "Todos os que piamente querem viver em Cristo Jesus padecerão perseguições." II Tim. 3:12.


Sob a direção de Satanás os seus agentes estão constantemente a trabalhar a fim de estabelecer a sua autoridade e erigir o seu reino em oposição ao governo de Deus. Com esse fito, procuram enganar os seguidores de Cristo e desviá-los de sua fidelidade. Semelhantes a seu chefe, interpretam mal e pervertem as Escrituras para realizar seu objetivo. Assim como Satanás se esforçou para lançar a ignomínia sobre Deus, seus agentes procuram fazer mal ao povo do Senhor. O espírito que matou a Cristo impele os ímpios a destruir Seus seguidores. Tudo isto está prefigurado naquela primeira profecia: "Porei inimizade entre ti e a mulher, e entre a tua semente e a sua semente." E isto continuará até ao final do tempo.


Satanás conjuga todas as forças, e arremessa ao combate todo o seu poder. Por que não encontra ele maior resistência? Por que são os soldados de Cristo tão sonolentos e indiferentes? É porque entretêm tão pouca verdadeira comunhão com Cristo; porque se acham tão destituídos de Seu Espírito! O pecado não lhes é repelente e aborrecível, como era a seu Mestre. Não o enfrentam, como o fazia Cristo, com resistência decidida e resoluta. Não se compenetram do grandíssimo mal e malignidade do pecado, e estão cegos tanto a respeito do caráter como do poder do príncipe das trevas. Pouca inimizade há contra Satanás e suas obras, porque há tão grande ignorância a respeito de seu poder e maldade, e da grande extensão de sua luta contra Cristo e Sua igreja. Multidões estão iludidas neste ponto. Não sabem que seu inimigo é um poderoso general, que domina a mente dos anjos maus, e que com planos bem elaborados e hábeis artifícios, está a guerrear contra Cristo para impedir a salvação das almas. Entre os professos cristãos, e mesmo entre os ministros do evangelho, raramente se ouve uma referência a Satanás, exceto talvez uma menção ocasional, do púlpito. Não tomam em consideração as evidências de sua atividade e êxito contínuos; negligenciam os muitos avisos contra seus ardis; parecem ignorar-lhe a própria existência.


Enquanto os homens se acham em ignorância quanto aos seus estratagemas, este vigilante adversário se põe em seu caminho a cada momento. Intromete-se em cada compartimento do lar, em toda rua de nossas cidades, nas igrejas, nos conselhos nacionais, nos tribunais de justiça, confundindo, enganando, seduzindo, arruinando por toda parte a alma e o corpo de homens, mulheres e crianças, desmembrando famílias, semeando ódios, rivalidade, contenda, sedição, assassínio. E o mundo cristão parece olhar estas coisas como se Deus as tivesse designado, e elas devessem existir.


Satanás está continuamente procurando vencer o povo de Deus, derribando as barreiras que os separam do mundo. O antigo Israel foi enredado no pecado quando se aventurou a associação proibida com os gentios. De modo semelhante se transvia o Israel moderno. "O deus deste século cegou o entendimento dos incrédulos, para que lhes não resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo, que é a imagem de Deus." II Cor. 4:4. Todos os que não são decididos seguidores de Cristo, são servos de Satanás. No coração não regenerado há amor ao pecado e disposição para acariciá-lo e desculpá-lo. No coração renovado há ódio e decidida resistência ao pecado. Quando os cristãos escolhem a sociedade dos ímpios e incrédulos, expõem-se à tentação. Satanás esconde-se das vistas, e furtivamente estende sobre os olhos deles seu véu enganador. Não podem ver que tal companhia é calculada a fazer-lhes mal; e ao mesmo tempo em que constantemente vão assimilando o mundo, no que respeita ao caráter, palavras e ações, mais e mais cegos se tornam.
A conformidade aos costumes mundanos converte a igreja ao mundo; jamais converte o mundo a Cristo. A familiaridade com o pecado inevitavelmente o fará parecer menos repelente. Aquele que prefere associar-se aos servos de Satanás, logo deixará de temer o senhor deles. Quando, no caminho do dever, somos levados à prova, como o foi Daniel na corte do rei, podemos estar certos de que Deus nos protegerá; mas se nos colocamos sob tentação, mais cedo ou mais tarde cairemos.


O tentador freqüentemente opera com muito êxito por meio daqueles de quem menos se suspeita estarem sob o seu domínio. Os possuidores de talento e educação são admirados e honrados, como se estas qualidades pudessem suprir a ausência do temor de Deus, ou torná-los dignos de Seu favor. O talento e a cultura, considerados em si mesmos, são dons de Deus; mas, quando se faz com que eles preencham o lugar da piedade, e quando, em vez de levar a alma mais para perto de Deus, a afastam dEle, tornam-se então em maldição e laço. Prevalece entre muitos a opinião de que tudo que se mostra como cortesia ou polidez, deve, em certo sentido, pertencer a Cristo. Nunca houve erro maior. Estas qualidades deveriam aformosear o caráter de todo crente, pois exerceriam influência poderosa em favor da verdadeira religião; mas devem ser consagradas a Deus, ou serão também um poder para o mal. Muito homem de intelecto culto e maneiras agradáveis, que se não rebaixaria ao que comumente é considerado um ato imoral, não passa de instrumento polido nas mãos de Satanás. O caráter insidioso, enganador de sua influência e exemplo torna-o inimigo mais perigoso da causa de Cristo do que os que são ignorantes e não têm cultura.
Mediante oração fervorosa e confiança em Deus, Salomão obteve a sabedoria que provocou o assombro e admiração do mundo. Quando, porém, se desviou da Fonte de sua força, e passou a confiar em si mesmo, caiu presa da tentação. Então as maravilhosas faculdades concedidas ao que foi o mais sábio dos reis, apenas o tornaram um agente mais eficaz do adversário das almas.
Conquanto Satanás procure constantemente cegar a mente dos cristãos para este fato, jamais se esqueçam eles de que não têm que lutar "contra a carne e o sangue, mas sim contra os principados, contra as potestades, contra os príncipes das trevas deste século, contra as hostes espirituais da maldade, nos lugares celestiais." Efés. 6:12. Através dos séculos está a soar até ao nosso tempo o aviso inspirado: "Sede sóbrios; vigiai; porque o diabo, vosso adversário, anda em derredor, bramando como leão, buscando a quem possa tragar." I Ped. 5:8. "Revesti-vos de toda a armadura de Deus, para que possais estar firmes contra as astutas ciladas do diabo." Efés. 6:11.
Desde os dias de Adão até os nossos tempos, nosso grande inimigo tem estado a exercer seu poder de oprimir e destruir. Está hoje a preparar-se para sua última campanha contra a igreja. Todos os que procuram seguir a Jesus terão de batalhar contra este implacável adversário. Quanto mais aproximadamente o cristão imitar o Modelo divino, tanto mais certo fará de si um alvo para os ataques de Satanás. Todos os que estão ativamente empenhados na causa de Deus, procurando desvendar os enganos do maligno e apresentar a Cristo perante o povo, estarão habilitados a aderir ao testemunho de Paulo, no qual ele fala em servir ao Senhor com toda a humildade de espírito, com muitas lágrimas e tentações.


Satanás assaltou a Cristo com as suas mais cruéis e sutis tentações; foi, porém, repelido em cada conflito. Aquelas batalhas foram travadas em nosso favor; aquelas vitórias nos tornam possível vencer. Cristo dará força a todos os que a busquem. Sem o consentimento próprio, ninguém poderá ser vencido por Satanás. O tentador não tem poder para governar a vontade ou forçar a alma a pecar. Pode angustiar, mas não contaminar. Pode causar agonia, mas não o aviltamento. O fato de Cristo ter vencido deve incutir em Seus seguidores coragem para combater varonilmente na peleja contra o pecado e Satanás.

Introdução

Antes que o pecado entrasse no mundo, Adão gozava plena comunhão com seu Criador. Desde, porém, que o homem se separou de Deus pela transgressão, a raça humana ficou privada desse alto privilégio. Pelo plano da redenção, entretanto, abriu-se um caminho mediante o qual os habitantes da Terra podem ainda ter ligação com o Céu. Deus Se tem comunicado com os homens mediante o Seu Espírito; e a luz divina tem sido comunicada ao mundo pelas revelações feitas a Seus servos escolhidos. "Homens santos de Deus falaram inspirados pelo Espírito Santo." 2 S. Pedro 1:21.
Durante os primeiros dois mil e quinhentos anos da história humana, não houve revelação escrita. Os que eram ensinados por Deus comunicavam os seus conhecimentos aos outros, transmitindo-os de pai para filho, ao longo de sucessivas gerações. A preparação da Palavra escrita começou no tempo de Moisés. As revelações inspiradas foram, então, reunidas num livro divinamente inspirado. Esse trabalho continuou durante o longo período de dezasseis séculos, partindo de Moisés, o historiador da criação e da lei, até João, o escritor das mais sublimes verdades do evangelho.


A Escritura Sagrada aponta a Deus como seu autor; no entanto, foi escrita por mãos humanas, e no variado estilo de seus diferentes livros apresenta os característicos dos diversos escritores. As verdades reveladas são dadas por inspiração de Deus (2 Timóteo 3:16); acham-se, contudo, expressas em palavras de homens. O Ser infinito, por meio de Seu Santo Espírito, derramou luz no entendimento e coração de Seus servos. Deu sonhos e visões, símbolos e figuras; e aqueles a quem a verdade foi assim revelada, concretizaram os pensamentos em linguagem humana.

Os Dez Mandamentos foram pronunciados pelo próprio Deus, e por Sua própria mão foram escritos. São de redação divina e não humana. Mas a Escritura Sagrada, com suas divinas verdades, expressas em linguagem de homens, apresenta uma união do divino com o humano. União semelhante existiu na natureza de Cristo, que era o Filho de Deus e Filho do homem. Assim, é verdade com relação à Escritura, como o foi em relação a Cristo, que "o Verbo Se fez carne e habitou entre nós." S. João 1:14.

Escritos em diferentes épocas, por homens que diferiam largamente na posição social e ocupação, em dotes mentais e espirituais, os livros da Bíblia apresentam vasto contraste no estilo, bem como diversidade na natureza dos assuntos explanados. Os vários escritores empregam diferentes formas de expressão; muitas vezes a mesma verdade é mais incisivamente apresentada por um do que por outro. E como diversos escritores apresentam um dado assunto sob vários aspectos e relações, pode parecer ao leitor superficial, descuidado e imbuído de preconceitos, haver discrepância ou contradição onde o pesquisador ponderado, reverente, com intuição mais clara discerne a harmonia que jaz velada.


Sendo apresentada por meio de indivíduos diferentes, a verdade é revelada nos seus vários aspectos. Um escritor impressiona-se mais fortemente com uma faceta do assunto; apanha os pontos que se harmonizam com a sua experiência ou com a sua capacidade de percepção e apreciação; outro apreende um aspecto diverso; e cada qual, sobre a direcção do Espírito Santo, apresenta o que mais vividamente lhe impressiona o espírito, resultando um aspecto diferente da verdade em cada um, mas uma harmonia perfeita no todo. E as verdades assim reveladas unem-se para formar um todo perfeito, adaptado de maneira a satisfazer as necessidades dos homens em todas as circunstâncias e experiências da vida.

Deus foi servido comunicar a Sua verdade ao mundo por intermédio de agentes humanos, e Ele próprio, por meio do Seu Espírito Santo, habilitou e capacitou homens para fazerem essa obra. Guiou a mente na selecção do que falariam ou escreveriam. Confiou o tesouro a vasos terrenos, sem, contudo, perder coisa alguma da sua origem celestial. O testemunho é transmitido mediante a imperfeita expressão da linguagem humana, sendo todavia o testemunho de Deus; e nele o dócil, crente filho de Deus, contempla a glória de um poder divino, cheio de graça e verdade.



Em Sua Palavra, Deus conferiu aos homens o conhecimento necessário à salvação. As Santas Escrituras devem ser aceitas como autorizada e infalível revelação de Sua vontade. Elas são a norma do caráter, o revelador das doutrinas, a pedra de toque da experiência religiosa. "Toda Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra." 2 Timóteo 3:16-17.

Todavia, o fato de que Deus revelou Sua vontade aos homens por meio de Sua Palavra, não tornou desnecessária a contínua presença e direção do Espírito Santo. Ao contrário, o Espírito foi prometido por nosso Salvador para aclarar a Palavra a Seus servos, para iluminar e aplicar os seus ensinos. E visto ter sido o Espírito de Deus que inspirou a Escritura Sagrada, é impossível que o ensino do Espírito seja contrário ao da Palavra.


O Espírito não foi dado - nem nunca o poderia ser - a fim de sobrepor-Se à Escritura; pois esta explicitamente declara ser ela mesma a norma pela qual todo ensino e experiência devem ser aferidos. Diz o apóstolo S. João: "Não creiais a todo o espírito, mas provai se os espíritos são de Deus; porque já muitos falsos profetas se têm levantado no mundo." 1 S. João 4:1. E Isaías declara: "À Lei a ao Testemunho! se eles não falarem segundo esta palavra, não haverá manhã para eles." Isaías 8:20.

Grande vitupério tem sido lançado sobre a obra do Espírito Santo pelos erros das pessoas de certa classe que, pretendo ser por Ele iluminadas, professam não mais ter necessidade da direcção da Palavra de Deus. São governadas por impressões que consideram como a voz de Deus na alma. Mas o espírito que as dirige não é o Espírito de Deus. O seguimento destas impressões, com negligência das Escrituras, apenas pode levar à confusão, ao engano e à ruína. Serve simplesmente para favorecer os desígnios do maligno. Desde que o ministério do Espírito Santo é de vital importância para a igreja de Cristo, é um dos ardis de Satanás, mediante os erros de extremistas e fanáticos, lançar o desdém na obra do Espírito e fazer com que o povo de Deus negligencie esta fonte de poder que nosso Senhor mesmo proveu.

Em harmonia com a Palavra de Deus, deveria Seu Espírito continuar Sua obra durante todo o período da dispensação evangélica. Durante os séculos em que as Escrituras do Velho Testamento bem como as do Novo estavam sendo dadas, o Espírito Santo não cessou de comunicar luz a mentes individuais, independentemente das revelações a serem incorporadas no cânon sagrado. A Biblia mesma relata como mediante o Espírito Santo, os homens receberam advertências, reprovações, conselhos e instruções, em assuntos de nenhum modo relativos à outorga das Escrituras. E faz-se menção de profetas de épocas várias, de cujos discursos nada há registrado. Semelhantemente, após a conclusão do cânon das Escrituras, o Espírito Santo deveria ainda continuar a Sua obra, esclarecendo, advertindo e confortando os filhos de Deus.

Jesus Cristo prometeu a Seus discípulos: "Quando vier aquele Espírito de verdade, Ele vos guiará em toda a verdade; . . . e vos anunciará o que há de vir." S. João 16:13. As Escrituras claramente ensinam que estas promessas, longe de se limitarem aos dias apostólicos, se estendem à igreja de Cristo em todos os séculos. O Salvador afirma a Seus seguidores: "Estou convosco todos os dias, até à consumação dos séculos." S. Mateus 28:20. E S. Paulo declara que os dons e manifestações do Espírito foram postos na igreja para "o aperfeiçoamento dos santos, para a obra do ministério, para edificação do corpo de Cristo; até que todos cheguemos à unidade da fé, e ao conhecimento do Filho de Deus, a varão perfeito, à medida da estatura completa de Cristo." Efésios 4:12 a 13.

Pelos crentes de Éfeso o apóstolo orou: “Para que o Deus de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai da glória, vos dê em Seu conhecimento o espírito de sabedoria e revelação; tendo iluminados os olhos do vosso entendimento, para que saibais qual seja a esperança da Sua vocação, … e qual a sobre-excelente grandeza do Seu poder sobre nós, os que cremos” Efésios 1:17-19. O ministério do Espírito divino, iluminando o entendimento e abrindo a mente às profundas coisas da santa Palavra de Deus, foi a bênção que S. Paulo assim rogou para a igreja de Éfeso.

Depois da maravilhosa manifestação do Espírito Santo no dia de Pentecostes, S. Pedro exortou o povo a arrepender-se e batizar-se em nome de Cristo, para a remissão de seus pecados; e disse ele: "E recebereis o dom do Espírito Santo; porque a promessa vos diz respeito a vós, e vossos filhos, e a todos os que estão longe: a tantos quantos Deus nosso Senhor chamar." Atos 2:38 a 39.

Em imediata relação com as cenas do grande dia de Deus, o Senhor, pelo profeta Joel, prometeu uma manifestação especial de Seu Espírito. (Joel 2:28.) Esta profecia recebeu cumprimento parcial no derramamento do Espírito, no dia de Pentecostes. Mas atingirá seu pleno cumprimento na manifestação da graça divina que acompanhará a obra final do Evangelho.

O grande conflito entre o bem e o mal aumentará de intensidade até mesmo ao final do tempo. Em todas as épocas a ira de Satanás se tem manifestado contra a igreja de Cristo; Deus tem concedido a Sua graça e Espírito ao Seu povo para o fortalecer na resistência ao poder do maligno. Quando os apóstolos de Jesus Cristo estavam para levar o Seu evangelho ao mundo e registá-lo para todas as épocas futuras, foram especialmente dotados da iluminação do Espírito. Mas, à medida que a igreja se aproxima do seu livramento final, Satanás deverá agir com maior poder. Desce, tendo “grande ira, sabendo que já tem pouco tempo” Apocalipse 12:12. Operará “ com todo o poder, e sinais e prodígios de mentira” II Tessalonicenses 2:9. Durante seis mil anos aquele espírito superior, que já fora o mais elevado dentre os anjos de Deus, tem estado inteiramente entregue à obra de engano e ruína. Toda a profundidade da perícia e astúcia satânica, adquirida durante as lutas seculares, toda a crueldade desenvolvida, serão postas em acção contra o povo de Deus, no conflito final. E neste tempo de perigo, os seguidores de Jesus devem levar ao mundo a advertência do segundo advento do Senhor; e deverá preparar-se um povo para estar em pé diante dEle na Sua vinda, “imaculados e irrepreensíveis” II S. Pedro 3:14. Neste tempo, a concessão especial de graça e poder divinos, não é menos necessário à igreja do que nos dias apostólicos.

Mediante a iluminação do Espírito Santo, as cenas do prolongado conflito entre o bem e o mal foram patenteadas à autora destas páginas. De quando em quando me foi permitido contemplar a operação, nas diversas épocas, do grande conflito entre Cristo, o Príncipe da vida, o Autor de nossa salvação, e Satanás, o príncipe do mal, o autor do pecado, o primeiro transgressor da santa lei de Deus. A inimizade de Satanás para com Cristo manifestou-se contra os Seus seguidores. O mesmo ódio aos princípios da lei de Deus, o mesmo expediente de engano, em virtude do qual se faz o erro parecer verdade, pelo qual a lei divina é substituída pelas leis humanas, e os homens são levados a adorar a criatura em lugar do Criador, podem ser divisados em toda a história do passado. Os esforços de Satanás para representar de maneira falsa o caráter de Deus, para fazer com que os homens nutram um conceito errôneo do Criador, e assim O considerem com temor e ódio em vez de amor; seu empenho para pôr de parte a lei divina, levando o povo a julgar-se livre de suas reivindicações e sua perseguição aos que ousam resistir a seus enganos, têm sido prosseguidos com persistência em todos os séculos. Podem ser observados na história dos patriarcas, profetas e apóstolos, mártires e reformadores.

No grande conflito final, como em todas as eras anteriores, Satanás empregará os mesmos expedientes, manifestará o mesmo espírito, e trabalhará para o mesmo fim. Aquilo que foi, será, com a exceção de que a luta vindoura se assinalará por uma intensidade terrível, tal como o mundo jamais testemunhou. Os enganos de Satanás serão mais sutis, seus assaltos mais decididos. Se possível fora, transviaria os escolhidos. (S. Marcos 13:22.)

À medida que o Espírito de Deus me ia revelando à mente as grandes verdades de Sua Palavra, e as cenas do passado e do futuro, era-me ordenado tornar conhecido a outros o que assim fora revelado delineando a história do conflito nas eras passadas, e especialmente apresentando-a de tal maneira a lançar luz sobre a luta do futuro, em rápida aproximação. Na prossecução deste propósito, esforcei-me por selecionar e agrupar fatos da história da igreja de tal maneira a esboçar o desdobramento das grandes verdades probantes que em diferentes períodos foram dadas ao mundo, as quais excitaram a ira de Satanás e a inimizade de uma igreja que ama o mundo, verdades que têm sido mantidas pelo testemunho dos que "não amaram suas vidas até à morte."

Nestes relatos podemos ver uma prefiguração do conflito perante nós. Olhando-os à luz da Palavra de Deus, e pela iluminação de Seu Espírito, podemos ver a descoberto os ardis do maligno e os perigos que deverão evitar os que serão achados "irrepreensíveis" diante do Senhor em Sua vinda.

Os grandes acontecimentos que assinalaram o progresso da Reforma nas épocas passadas, constituem assunto da História, bastante conhecidos e universalmente reconhecidos pelo mundo protestante; são fatos que ninguém pode negar. Esta história apresentei-a de maneira breve, de acordo com o escopo deste livro e com a brevidade que necessariamente deveria ser observada, havendo os fatos sido condensados no menor espaço compatível com sua devida compreensão. Em alguns casos em que algum historiador agrupou os fatos de tal modo a proporcionar, em breve, uma visão compreensiva do assunto, ou resumiu convenientemente os pormenores, suas palavras foram citadas textualmente; nalguns outros casos, porém, não se nomeou o autor, visto como as transcrições não são feitas com o propósito de citar aquele escritor como autoridade, mas porque sua declaração provê uma apresentação do assunto, pronta e positiva. Narrando a experiência e perspectivas dos que levam avante a obra da Reforma em nosso próprio tempo, fez-se uso semelhante de suas obras publicadas.

O objetivo deste livro não consiste tanto em apresentar novas verdades concernentes às lutas dos tempos anteriores, como em aduzir fatos e princípios que têm sua relação com os acontecimentos vindouros. Contudo, encarados como uma parte do conflito entre as forças da luz e das trevas, vê-se que todos esses relatos do passado têm nova significação; e por meio deles projeta-se uma luz no futuro, iluminando a senda daqueles que, semelhantes aos reformadores dos séculos passados, serão chamados, mesmo com perigo de todos os bens terrestres, para testificar "da Palavra de Deus, e do testemunho de Jesus Cristo."

Desdobrar as cenas do grande conflito entre a verdade e o erro; revelar os ardis de Satanás e os meios por que lhe podemos opor eficaz resistência; apresentar uma solução satisfatória do grande problema do mal, derramando luz sobre a origem e a disposição final do pecado, de tal maneira a manifestar-se plenamente a justiça e benevolência de Deus em todo o Seu trato com Suas criaturas; e mostrar a natureza santa, imutável de Sua lei - eis o objetivo deste livro. Que mediante sua influência almas se possam libertar do poder das trevas, e tornar-se participantes "da herança dos santos na luz," para louvor dAquele que nos amou e Se deu a Si mesmo por nós, é a fervorosa oração da autora.

Ellen G. White

O Conflito Final

"A inimizade de Satanás para com Cristo manifestou-se contra os Seus seguidores. (...) No grande conflito final, como em todas as eras anteriores, Satanás empregará os mesmos expedientes, manifestará o mesmo espírito, e trabalhará para o mesmo fim. Aquilo que foi, será, com a exceção de que a luta vindoura se assinalará por uma intensidade terrível, tal como o mundo jamais testemunhou. Os enganos de Satanás serão mais sutis, seus assaltos mais decididos. Se possível fora, transviaria os escolhidos. (S. Marcos 13:22.) À medida que o Espírito de Deus me ia revelando à mente as grandes verdades de Sua Palavra, e as cenas do passado e do futuro, era-me ordenado tornar conhecido a outros o que assim fora revelado delineando a história do conflito nas eras passadas, e especialmente apresentando-a de tal maneira a lançar luz sobre a luta do futuro, em rápida aproximação. (...) Nestes relatos podemos ver uma prefiguração do conflito perante nós. Olhando-os à luz da Palavra de Deus, e pela iluminação de Seu Espírito, podemos ver a descoberto os ardis do maligno e os perigos que deverão evitar os que serão achados "irrepreensíveis" diante do Senhor em Sua vinda."
Ellen White, trecho retirado da introdução.


DESTAQUES DO CAP. 3:



O paganismo tornou-se vencedor

"Pouco a pouco, a princípio furtiva e silenciosamente, e depois mais às claras, à medida em que crescia em força e conquistava o domínio da mente das pessoas, o mistério da iniqüidade levou avante sua obra de engano e blasfêmia. Quase imperceptivelmente os costumes do paganismo tiveram ingresso na igreja cristã. O espírito de transigência e conformidade fora restringido durante algum tempo pelas terríveis perseguições que a igreja suportou sob o paganismo. Mas, em cessando a perseguição e entrando o cristianismo nas cortes e palácios dos reis, pôs ela de lado a humilde simplicidade de Cristo e Seus apóstolos, em troca da pompa e orgulho dos sacerdotes e governadores pagãos; e em lugar das ordenanças de Deus colocou teorias e tradições humanas.

A conversão nominal de Constantino, na primeira parte do século IV, causou grande regozijo; e o mundo, sob o manto de justiça aparente, introduziu-se na igreja. Progredia rapidamente a obra de corrupção. O paganismo, conquanto parecesse suplantado, tornou-se o vencedor. Seu espírito dominava a igreja. Suas doutrinas, cerimônias e superstições incorporaram-se à fé e culto dos professos seguidores de Cristo." E.W. (trecho retirado do cap. 3)

O "homem do pecado"

"Esta mútua transigência entre o paganismo e o cristianismo resultou no desenvolvimento do "homem do pecado", predito na profecia como se opondo a Deus e exaltando-se sobre Ele. Aquele gigantesco sistema de religião falsa é a obra-prima do poder de Satanás - monumento de seus esforços para sentar-se sobre o trono e governar a Terra segundo a sua vontade." E.W. (trecho retirado do cap. 3).